quarta-feira, outubro 13, 2010

Terapia de grupo


Ontem fiz uma confusão danada e acabei indo ao consultório da minha terapeuta, sem ter hora marcada. Não era o meu dia, eu troquei tudo, ou seja, mais uma "isabellice" daquelas, história pra contar pros filhos e netos. Acabei tendo que enrolar um pouquinho por lá e, como qualquer mortal que tem internet no telefone, comecei a pesquisar, ler e aí já sabe: me bateu aquela vontade louca de escrever. Terminei o texto, olhei pra ele, ele pra mim e resolvi transformá-lo numa terapia de grupo. Por que não dividir meus devaneios com vocês, ora pois?! Cá estão eles:

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Se as pessoas tivessem consciência de que tudo é passageiro na vida, seriam mais felizes. A começar pela própria vida. Ela passa. Já diz o sábio ditado que a única certeza que temos é de que um dia partiremos dessa para o fim. Ou para o começo de um novo ciclo, mas isso depende da crença de cada um e não vem ao caso entrar nesse assunto agora.

Voltando aos pensamentos em voz alta dos meus botões serelepes, vamos a um simples exemplo: o trabalho, que pode ser um grande prazer ou, em alguns muitos casos, o ganha-pão de cada dia e só, somente só. Sinto avisar aos navegantes mais românticos que ele também é efêmero. É claro que o "efêmero" aqui pode durar um, dois, dez, vinte anos. Ou até mesmo uma vida inteira. Mas o que é fascinante nisso é que ele muda e assume novos papéis dentro da gente. Muda a nossa forma de olhar pra ele, de interpretá-lo, de pesá-lo. A cada labuta nossa, acumulamos mais experiência, menos expectativa, tombos do cavalo, lindos laços de amizade (sim, sou daquelas pessoas que acreditam na formação de uma bela amizade no trabalho), decepções complicadas de digerir, enfim, um conjunto de coisas que trazem amadurecimento e mostram, aos poucos, pra onde queremos ou não ir e com que tipo de gente queremos ou não nos relacionar nesse meio.

Saber que um dia nós não mais ocuparemos o lugar em que estamos hoje e esse lugar, por sua vez, não ocupará mais a vaga que ele tem dentro de nós, é primordial. Sempre acreditei que nascemos com vários interesses, dons e talentos. E que vamos nos dando oportunidades de descobri-los ao longo da vida. Portanto, não estranhem se um dia eu resolver ser professora de yoga no Nepal, apesar de amar muito o que faço hoje. Somos seres mutantes e é aí que mora a graça da vida. Não falo aqui de uma mudança necessariamente física, falo da mais importante: daquela que nasce e ocorre dentro da gente. Seja na vida pessoal, no trabalho, com os filhos ou amigos. E a mudança boa, com selo de qualidade vem acompanhada de flexibilidade, algo que noto - muito assustada - estar cada vez mais escasso, principalmente nos mais jovens. Gente que deveria estar mais entregue ao risco, às asas de suas imaginações, à criatividade.

O que me emociona, de fato, é a mudança provocada pelas nossas escolhas, a mudança que vem de decisões, que só vamos ter realmente certeza de que foi o momento certo de tomá-las, pagando pra ver. O que deixa meus olhos brilhando é a mudança que nos faz trazer pra perto quem nos faz bem e levar pra longe quem nos faz mal. A mudança que nos faz enxergar sem ter que recorrer a lentes de contato, que faz a gente ter, do nada, vontade de abraçar o mundo, mesmo sabendo que isso é impossível e prejudicial à saúde. Refiro-me à mudança que prova o tamanho da generosidade que temos conosco e com o outro, que tem o poder da aceitação de certos acontecimentos que nos pegam desprevenidos. Quero sempre dar boas-vindas à essa mudança saudável, inocente, sincera, que muitas vezes reflete em esferas inimagináveis do nosso ser.

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E não é que confundir o horário da terapia me rendeu uma boa sessão aqui, com vocês?! Que venham mais trapalhadas!

Essa é a trilha que sugiro para hoje, essa e todas as do PomplamooseMusic: clique aqui!