segunda-feira, novembro 07, 2005

Vai um Doritos aí?

Chegou mais cedo do trabalho depois de um dia desanimador...

Aproveitou para ir ao supermercado e fazer de sua geladeira um eletrodoméstico mais feliz...

Chegou, rodou, olhou, cheirou, tocou, escolheu os produtos, entrou na fila para passar o cartão...

Em sua mente inquieta misturavam-se muitas informações, conclusões, surpresas, convicções, lições, certezas, dúvidas, interrogações, indecisões...

Pensou, não achou a saída...

Sentiu, não achou a saída...

Saída para onde? De onde queria sair?

Pensou no pai, pensou na mãe, pensou no amor...

Pensou em Saramago, pensou na noite anterior, pensou na Cuca...

Pensou nos desejos, nas realizações...

Como é bom saber que tem tudo isso!

Mas, também pensou na morena traíra, que se lamenta através da escrita, na amiga loura, que acabava de ser assaltada, no casal que casou, mas não casou, no gigante amado, que colocava todas as energias na Bahia, na família que não era a sua, nas febres, nas aves, nos carrapatos, nas favelas, nos colegas de trabalho...

Até que percebeu que olhava fixamente para um pacote de Doritos...

E realizou que, naquele momento, o que lhe fazia realmente bem era a lembrança do gosto artificial dos biscoitinhos triangulares, tantas vezes servidos em reuniões, no apartamento da Gávea...

4 comentários:

Anônimo disse...

Lendo seu texto ao som de, acrdite se quiser, cássia machadão eller(segundo sol), mais uma vez me emociono. Não cansei de repetir que acho que sua maneira de escrever me conquistou, me surpreende a cada vez que leio seus textos. Já ouvi vc dizer algumas vezes que eu estaria na profissão errada...Não me atreveria a dizer o mesmo, porém se fosse vc investiria muito mais na sua capacidade"escritiva"! Adoro este seu talento.
Espero ler vc por muitos anos
Caco, o apaixonado Sapo

Marco Santos disse...

Mandou bem, minha cara Isa, a Bela. Parabéns.
Na falta de Doritos, um pacote de banana-passa também é ótimo para esquecer das agruras desta vida. Beijão.
P.S. Escrevi um texto no Antigas Ternuras sobre o Jardineiro Fiel. Ah, tem outro sobre Crash, também, que eu recomendo como um dos melhores filmes do ano (e do século até agora).

re_bonora disse...

Bel...íssima,
Desta vez Caco, o sapo foi mais rápido, hein?!
Bom, mas que delícia de texto! Acho que estão faltando mais reuniões. Vamos nos programar?
Bjs
stepdaughter

Daniel Basilio disse...

Muito bom... quantos doritos nos confortam, né!? O artificial, no fundo, é como dito por Kant: "é natural porque o homem que o criou, também é natural." E sai de uma observação, a construção do conforto... imaginar que a lembrança também é artificial...
Vixe... filosofia de botequim! :)
Só dizer que gostei muito! Espero próximos, ansioso!
Bjos