terça-feira, maio 17, 2005

E o saquê tava geladinho!

Ele chegou de cavanhaque e costeletas, promovendo ali, na frente de uma simples e frágil donzela, uma mistura irresistível de Elvis Presley com Raul Seixas. Nas mãos, uma garrafa de saquê nacional. Vestia uma calça jeans escura e uma camisa em tom pastel, cheia de listrinhas. O cheiro? Da rua mesmo. Sem perfume, do jeito que ela gostava. Estavam sobre (sobre mesmo e não "sob") nuvens brancas e raios fortes de um sol alaranjado. É, a metáfora é de difícil compreensão mesmo. Deixa pra lá... Ambiente perfeito, papo agradável e todos os elementos químicos combinados. Poderia ser melhor? Hummm... Ela estava certa de que não. A hora dele ir embora chegou e, tempos atrás, seria motivo para a singela moça lamentar e chorar. Mas, inesperadamente, seu coração foi invadido por uma paz, uma impressão de que o passado não mais a atormentava e de que ela havia se libertado da dor. O sentimento, antes avassalador, estava mais brando. Era amor, mas ardia menos, machucava menos. E a certeza (cada vez mais forte) de que Raul Presley faria parte de sua vida de uma forma bem mais saudável - talvez como amigo, cúmplice, confidente - a invadiu de um jeito tão forte, que, assim que ele se foi, ela mergulhou num sono profundo e tranqüilo, como adormecem as princesas dos contos de fadas. Ela jamais havia dormido assim, quando esse artista cantava no palco do seu coração. Ah! E o saquê tava geladinho, geladinho...

3 comentários:

Marcelo disse...

bonito isso

Anônimo disse...

Bel,

Alem de bonita, voce tambem escreve
bem.
Querida, se tiver poesias, publique.

Beijos do tio.

Marco Santos disse...

Minha Bella Isa...Ontem eu vi um comercial do Ponto Frio onde apareceu alguém MUITO PARECIDO contigo...Ou era você mesma?
Beijo, Marco