domingo, março 15, 2009

Pra que tanta desconfiança?


Pode não significar nada pra você. Mas, pra mim, muito significou. Na última sexta-feira precisei entregar um documento importante numa determinada empresa, localizada numa rua que pertence à categoria "inferno para estacionar". Pois bem, peguei o meu carro e lá fui eu rezando para encontrar uma vaga. Já estava atrasada para o meu próximo compromisso e, se não achasse uma vaga de primeira, não poderia ficar dando voltas e mais voltas, situação essa que me fez ficar um tanto quanto apreensiva. Coisas do mundo moderno. Bom, não achei vaga, a rua estava lotada de carros em vagas permitidas e não permitidas e, à medida que eu chegava perto, pensava rápido no que ia fazer. Foi quando parei em frente ao local e vi um motoboy. Deu-se o seguinte diálogo:

Isabella, sorrindo, como sempre: Moço, tudo bem?

Moço, muito cordial: Tudo!

Isabella: Você vai entrar aí?

Moço: Vou!

Isabella: Você me faz um favor?

Moço: Sim!

Isabella: Pode deixar esse envelope na portaria pra mim? É que não estou achando vaga...

Moço, já pegando o meu envelope: Claro!

Isabella: Obrigada!

Moço: De nada. Tchau!

Parti com o carro sem sequer ver o que o motoboy havia feito com o envelope e sem saber se ele havia entrado, de fato, na empresa. 

O ocorrido: Isabella entrega um envelope, endereçado ao financeiro de uma empresa, a um completo desconhecido. 

Pensamentos após o ocorrido: "Devia ter esperado o cara entrar, pelo menos pra ver se ele entrou no lugar onde eu estava pensando. Perguntei se ele ia entrar "aí". O "aí" dele poderia ser diferente do meu "aí". Que louca eu sou, meu Deus. Como é que eu entrego um envelope com um conteúdo importante desses assim para uma pessoa que eu nunca vi?" E por aí vai...

Perguntas feitas a mim mesma após o corrido: Seria essa uma atitude inocente, de alguém que ainda acredita na raça humana? Seria eu uma pessoa que confia no outro acima de tudo? Será Isabella um E.T, de passagem pelo Rio de Janeiro, uma cidade onde - segundo os periódicos lidos no espaço - malandro não tem vez? Teria sido apenas mais uma leve distração, que havia me tirado da órbita por alguns instantes, fazendo com que eu realizasse coisas não muito comuns para alguém que vive numa metrópole? Ou, mais simples do que tudo isso, teria eu realmente acreditado naquele honesto motoboy que, prontamente, atendeu o meu pedido?! 

Digo "honesto" porque, independente do que tenha acontecido comigo nessa fração de dia, o envelope chegou ao seu destino e passa bem, obrigado! E digo mais: tive uma atitude que, hoje em dia, nem náufragos habitantes de ilhas desertas conseguem ter. E sabe que gostei?! Algo me diz que ainda não fui engolida pela desconfiança que reina nesse nosso "admirável mundo novo"!


16 comentários:

Murilo Ribeiro disse...

Admirável?
Mesmo?
Tenho cá minhas (muitas) dúvidas...
Bj e parabéns (pela atitude...e pela sorte de ter dado tudo certo!)

isabella saes disse...

Esqueci das aspas... É uma alusão ao "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley!! Obrigada, queridão!!

® ♫ The Brit ♪ ® disse...

Oi Isabella,
coisas parecida já aconteceu comigo.... e sempre depois eu ficar pensando "deveria fiz esse jeito..." "pq eu não fiz assim?" "fiz um merda" e tal... aquele sentimento e muito ruim neh?! nem sabendo se tudo vai dar certo no final!
Mas que otimo tudo indo bem pra vc! e que otimo ainda existe pessoas honestos nesse mundo!

Murilo Ribeiro disse...

Doidinha, eu tinha entendido. Só quis fazer piada - pra variar, né?rsrsrs
Bj!

Sergio Brandão disse...

Que bom que tudo acabou dando certo! Acho que, em momentos como esse, algum tipo de sexto sentido (ou "feeling" mesmo) é aguçado dentro de nós e acaba nos guiando por atalhos certeiros e imperceptíveis a olho nu... rs Bjs.

Suellen Analia disse...

Bom, parece que o motoboy cumpriu direitinho a missão!
Acredito que não só vc, mas ele também deve ter achado estranho alguém ter confiado nele. Pq ele tb poderia ter aberto o envelope pra ver o tinha dentro...
É, acho que nem tudo está perdido. rs

Beijos e boa semana, Isabella!

isabella saes disse...

Serginho, a cada dia que passa dou mais e mais ouvidos aos meus feelings e sextos sentidos!! beijo grande.

Suellen, tb acho que nem tudo está perdido. Aliás, nunca achei que tido estava perdido. Mas é que nós, leitores dos jornais diários, moradores de uma cidade grande, acabamos custando a crer em boas intenções! Uma pena...

isabella disse...

Com certeza do jeito que eu sou desconfiada, teria esperado esse motoboy entrar. Eu fui engolida por esse mundo sim...

Suellen Analia disse...

É verdade.
Pelo o que a gente lê nos jornais todos os dias, temos de ficar desconfiados mesmo!

Ah, Isabella! Deixa só eu mudar de assunto rapidinho: sabe os meninos da Revista M...? Então, estiveram lá na faculdade ontem! Foram palestrar lá! rsrs
Lembrei de vc!
Beijos!

Marco disse...

Querida Isa, a bela
Eu acho que faria exatamente tudo o que você fez: pedir educadamente a alguém que estivesse entrando no prédio para entregá-lo para mim. Ato contínuo, me desesperaria pensando na hipótese do cara NÃO ter entregue o envelope. Paranóias urbanas acontecem a qualquer mortal, seja ET ou terráqueo, estejamos no Rio de Janeiro ou em New York ou em Juneau, no Alaska. É ótimo poder acreditar na bondade humana. mas é prudente desconfiar dela também.
Mudando de assunto. Ontem, 16 de março, foi aniversário de nossos blogs. Lá se vão quatro anos... Nem imaginava que fosse durar tanto. Bem... estamos firmes e persistindo no universo blogueiro. Parabéns e obrigado por ser minha madrinha blogueira. O Antigas ternuras não existiria sem você. Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

ANA CLAUDIA MARINHO disse...

Isabela,dificilmente faria o que você fez.Porém fico feliz em saber que existem pessoas de alma tão boa e é claro de muita coragem como você.E obviamente não poderia me esquecer do motoboy que pelo jeito fez o que você havia pedido.
Parabéns pra você e para o motoboy também.
Um enorme abraço...seu blog está bom demais.
até.

juca cavalcante disse...

Na verdade você foi levada pela necessidade de resolver logo aquele problema e num impulso confiou a um estranho a missão de entregar o envelope, torcendo pra que ele fosse honesto e cumprisse o encargo.
Você deu uma sorte do caramba do cara não fazer uma sacanagem.
Talvez isso prove que a luz no fim do túnel continua acesa.

Amanda Hora disse...

Eu faria a mesma coisa que vc, na pressa ñ dá mesmo tempo de pensar nas consequências que esse ato poderia trazer. Mas confesso que me preocupo muito comigo, pq são poucas as pessoas que primeiro confiam para depois desconfiar e dá mt medo de ser assim hoje em dia, né?
Beijos!

isabella disse...

Suellen, que bacana! Os meninos da M... são bem legais mesmo.

Marco, querido!!! Parabéns pros nossos filhos!!! Grande beijo.

Oi, Ana! Acho que nesse caso não foi bem coragem. Eu não estava consciente do meu ato, foi algo natural mesmo... Se tomasse consciência ali, naquela hora, talvez não tivesse confiado o envelope ao motoboy...

Juca, há luz no fim do túnel. Às vezes ela é mínima, mas não podemos perder as esperanças nela!

Amanda, dá muito medo mesmo. Principalmente porque hoje tá difícil de confiar até em quem está ao seu lado todos os dias. E não estou falando do maridão, hein!! Pelamordedeus!!!

Gabriel Cavalcanti da Fonseca disse...

Confesso que ainda creio nas boas intenções mais do que no intelecto do ser humano.
Acho que meu medo maior seria o cara errar o prédio por ter entendido o pedido de maneira errada. rs
Beijos

DJ disse...

95% da população carioca entregaria o seu envelope sem pensar duas vezes, incluindo o Motoboy que passava ou segurança do predio... é uma pena que o restante faça tanto estrago.