sexta-feira, junho 22, 2007

A baiana e o suiço

Ela: morena, do sotaque baiano arretado. Ele: mais suiço impossível. Os dois: uns doces de pessoas. Seus nomes? Não faço a mais vaga idéia... Nosso papo? Exatamente a duração não vou saber, mas nada que tenha ultrapassado 20 minutos. Sentaram ao meu lado num restaurante barulhento. Ela pediu licença e ele me desejou bom apetite deixando claro, na primeira sílaba, sua ascendência estrangeira. Começamos a conversar. Casaram-se não sei há quanto tempo, mas o fato é que moraram um pouco na terra dele, a Suiça, e agora resolveram se mudar para a terra dela, o Brasil. E foi na hora em que tomaram tal decisão que as coisas começaram a dar errado, claro. Welcome to Brazil! Minha amiga soteropolitana estava quase sem ar, pois já tinha passado por todos os locais que prestam serviços de passaporte no Rio, e não havia conseguido resultado algum. Amigos, essa senhora e seu marido compraram uma passagem para visitar familiares na Suiça e, provavelmente, não vão conseguir embarcar, sendo que ele nasceu lá e ela é cidadã européia. Ela precisa tirar um passaporte brasileiro, mas não consegue, a burocracia é mais forte do que tudo. Sua passagem está marcada para o dia 18 de junho, mas a pessoa lá de dentro do guichê diz: "Sinto muito senhora, volte aqui em 90 dias". N-O-V-E-N-T-A D-I-A-S "Foi mais fácil tirar o documento suiço", disse a baiana. E ninguém duvida disso... Conversa vai, conversa vem, o casal foi se acalmando, dizendo que existem coisas boas aqui no Brasil, mas que dá vontade de ir embora quando o país começa a mostrar a cara de fato. Pois é... Não soube nem o que dizer. Ficar criticando ou defendendo Brasil seria uma boa? Dizer que poderia tentar ajudá-los de alguma forma (De que forma? Não tenho nenhum tio influente nessa área...)? Bom, a única coisa que posso afirmar com "catiguria" é que o bacalhau que comia estava divino e que sentar sozinha num restaurante faz você realizar que nessa vida louca que vivemos ainda existem encontros como esse, em que simples desconhecidos discutem, sem compromisso, as alegrias e mazelas da vida.

5 comentários:

Anônimo disse...

Olá!
Conheço seu blog, pelo blog de uma amiga, que encontrei em de outra amiga...essas coisas de internet. Um dia me deparei com o seu e não parei de ler, mas aí você parou! Parabéns aos seus amigos que insistiram na sua volta!
Você escreve muito bem!
Sucesso
Claudia

isabella saes disse...

oi, claudia! que bacana sua mensagem. pois é, eu parei um bom tempo. dessas coisas que acontecem meio sem explicação, sabe... mas, tô na área e fico feliz por saber que vc tb está! beijos e obrigada, isabella.

Murilo Ribeiro disse...

É...isso é Brasil, né?
Lembro quando voltei de uma viagem de férias, há 4 anos, fascinado pelo "Primeiro Mundo", com toda a sorte de comodidade e - ESPANTO!!! - com todos os serviços funcionando e, ao desembarcar de um vôo repleto de turistas, lia-se no saguão do aeroporto: "POLÍCIA FEDERAL EM GREVE!!!"
Por essas e outras o Renato Russo quis tanto saber "que país é esse???"

re_bonora disse...

Esta sua experiência foi um tanto quanto européia...literalmente falando. Afinal, no Brasil de hoje, se estranhos sentam-se ao nosso lado e começam a puxar papo já ficamos de olho para saber se vamos cair em algum golpe ou se seremos abordados na saída para um assalto.
É Bel...é por essas e outras que não tardará e terei minha experiência no 1o mundo.
Beijos

Marco disse...

Tem o Brasil beleza, Cristo Sete Maravilha do Mundo, terra de samba e pandeiro, Ôba!
E tem o Barsil bu(r)rocrata, estacionado, na contramão do mundo. Que pena, não é?
Carpe Diem.