terça-feira, outubro 23, 2007

Algo me agita a mente...

Tenho me deparado com muitas biografias ultimamente. A última foi "Piaf - Um hino ao amor", que conta a vida da cantora francesa Edith Piaf. Por sinal, um filme obrigatório para seus fãs ou para aqueles que, como eu, cresceram ouvindo sua música. Mas, enfim, passei aqui só para deixar registrado que ainda não li uma biografia ou vi um filme sequer sobre a vida de um grande artista, que retrate alguém que tivesse desfrutado de uma infância saudável, normal. Que relação deve existir entre um início de vida conturbado e o despertar de um talento que transforma as pessoas em grandes gênios? Curiosa estou e curiosa vou permanecer até que alguém me responda. Meus quatro leitores assíduos sabem que tenho muito interesse nos assuntos mais misteriosos e profundos do sentimento humano... Se conseguir alcalmar minha mente através dessa descoberta, "postarei-a-a" aqui imediatamente...

13 comentários:

Kika Gada disse...

Boa questão. Mas infelizmente não tenho a resposta. Só fiquei com a pulguinha também.

Murilo Ribeiro disse...

Hummmmm...talvez uma vontade louca, ainda que incosciente, de provar a si mesmo que as coisas podem ser melhores. É um chute, confesso!
Mas, como diria Caê, "ou não..."
Bj, moça!

tia Sonia disse...

Belzinha
Penso exatamente como vc e tb não encontro explicação! Talvez, algumas crianças com poucas oportunidades, cresçam com a gana de querer provar a todos que têm algum valor!
Espero que vc, com a sua astúcia, consiga encontrar explicação melhor que a da sua tia!
Bjs tia Sonia

Fernando disse...

Bom; para começo de conversa, você fala de "superação". Um ato que, como já sabemos, pois você também é leitora de Nietzsche, "se não te mata, te torna mais forte".
Fica a segunda questão, decorrente da primeira: Se a superação me torna melhor, e muitas superações ao longo da vida, genial; o que garante que também não me torne um psicopata genial?
Nada. Por isso, temos cada vez mais gente falando sozinha pelas ruas, ou pulando de pontes (vc que gosta de filmes, já viu "A ponte"?).
Enfim, uma outra questão para pensarmos: Nossas reações a esses tropeços da vida fazem toda a diferença.
Tem uma história que o grande psicólogo infantil Donald Winnicott contava sobre sua infância. Certa feita, danificara o rosto de uma boneca sua. Seu pai, ao invés de puni-lo, atenciosa e cuidadosamente, repara o rosto destruído, recuperando o brinquedo.
O dr.Winnicott, adulto, tornou-se famoso como o maior especialista em terapias de recuperação de crianças traumatizadas pela violência e marginalizadas.
Consertou muitas e muitas "bonecas danificadas" de carne e osso.

Dever de casa, linda: Ler "Privação e Delinqüência", de Winnicott.
Depois continuamos...

Fernando disse...

Esqueci que mudei meu e-mail a algum tempo.

respostas e comentários, favor enviar para:

magallegal@ibest.com.br

Sucesso, Saúde e Paz!

Fernando Magalhães

Florenza disse...

Bella,
Me vem a mente uma possibilidade, entre milhões que gravitam por aí. Quando algo nos dilacera, retalhados, temos dois caminhos: olhar com pesar para os restos espalhados ou juntá-los para construir uma outra história. Nem sempre acontece de se contar uma outra história menos dolorida. Mas a força, a energia, a decisão de iniciar um outro capítulo é a questão. Enebriados por essa força, muitos agarraram-se a ela com tanta sagacidade, com tanto querer, que o que havia de mais puro, de mais verdadeiro, de mais vibrante na sua alma é parido. O talento transborda. Também pode ficar oculto e nunca dar as caras por aí. Por medo, preguiça ou desatenção, vão ficando pelo caminho muitos gênios que não foram capazes de suportar os seus talentos. Porque, sem dúvida, há de se ter ousadia pra ser feliz. Fica aqui... apenas uma possibilidade... pequena, comum, uma...possibilidade. bjos

isabella saes disse...

Que bacana ver que um simples texto como esse fez com que outras pessoas, além dos meus quatro leitores assíduos, entrassem e postassem suas refelexões! Adorei! Beijos a todos e passem sempre por aqui!!

Marco disse...

Isa, a Bela,
Pois você vai ter a chance de ler uma biografia de uma pessoa que teve uma vida normal e assim mesmo merecedora de ser tratada em livro. Dia 12 de novembro lanço meu livro sobre um ator das antigas e seu tempo. Te mando um e-Mail com mais detalhes.
Carpe Diem.

vanda viveiros de castro disse...

Isabella querida,
Vim "pagar" a sua grata visita e mais uma vez comprovo que daqui não se sai de cabeça vazia. Eu cresci ouvindo Piaf com a minha mãe, que era apaixonada por ela, mas isso não é coisa da sua geração, fiquei intrigada!
Acho que o nome do seu blog já é meio caminho para responder a sua questão - turbulência demais pode virar o barco, é verdade, mas água parada não move moinho, a inquietude ou o desajuste nos levam a ignorar ou empurrar os limites. O nosso grito de independência, se não tivesse sido às margens plácidas, talvez fosse retumbante de verdade...
E pensando em biografias, lembrei de duas, de dois músicos também meio desajustados, não são recentes mas gostei muito, se te escaparam, vale pegar no vídeo: Beyond the Sea e Johnny & June. Muitos beijos inquietos, Vanda

isabella saes disse...

Fernando, obrigada pela sua visita! Gostei da indicação de leitura. Vou procurar! E quanto ao filme "A Ponte", sobre os suicídios em SF, estou louca pra ver, mas não acho em nenhuma locadora. Tem alguma pista? Seja sempre bem-vindo aqui no Mente Inquieta!!

vanda viveiros de castro disse...

Bella, seu barco já alguns portos adiante, mas voltei a este porque fui consultar uma biografia que li, acabei escrevendo sobre cantoras e lembrei da sua questão: concluí - até que algum especialista me desminta - que quando os geniais e talentosos não tiveram muito drama na vida, ela não vira filme nem livro, e aí a gente não fica sabendo! mas continuo achando também, um pouco na idéia de que "sem trauma não se cria", que um bom desajuste (sem exageros, de preferência) evita acomodação, pode ser saudável para despertar talentos...beijos, Vanda

isabella saes disse...

E não é que faz total sentido?!

re_bonora disse...

Belzinha
Estou lendo no momento a biografia de Mayza Matarazzo e, como você, curiosa para saber porque pessoas com infância tão desajustada (às vezes) tornam-se grandes artistas.
Nas poucas biografias que li ou vi (a breve história de Tim Maia ontem na TV foi bem legal), notei que a maioria não tem família estruturada ou não teve boa orientação, mas será que é isso?! Será que os limites impostos pela família bloqueiam certos talentos? Conheço um caso assim...Enfim, só mais uma questão para pensarmos juntas.
Beijo grande da sua leitora assidua que está de volta depois de 1 mês!
Re